Leo Ruiz: das pistas de skate de Santo André para o mundo

Brasileiro é um dos grandes destaques do skate vertical

Aos 21 anos, Leonardo Ruiz ainda não é badalado como um Bob Burnquist, mas já tem conquistas importantes no currículo, como a Copa Brasil de Skate Vertical (2014). E quem conhece a história de Leo, não tem muitas dúvidas de que isso é só o começo.

Leo competindo em São Paulo | Foto: Felipe Puerta
Leo competindo em São Paulo | Foto: Felipe Puerta

Nem todo mundo sabe, mas a luta do palmeirense que não dispensa uma ‘pelada’ quando está no Brasil, para se tornar um skatista profissional, nasceu na prateleira de um supermercado, onde sua mãe comprou o seu primeiro skate. A garagem de casa foi pista para as primeiras manobras do brasileiro.

“Fui com minha mãe comprar o meu primeiro skate no supermercado, pois eu vinha assistindo bastante coisa sobre skate na televisão. Lembro que, na época, a Rede Globo inovou inserindo o skate na novela Malhação, então skate estava em alta na mídia aquele ano”, relembra Leo.

Nascido e criado em Santo André, cidade do Grande ABC Paulista, o especialista em skate vertical soube conciliar bem a transição da infância e adolescência para a vida adulta e profissional, que, aos 18 anos, resultou na mudança de mala e skate na mão para os Estados Unidos.

O dia a dia andreense, marcado pelo convívio com os amigos do skate, da escola, do bairro e com a família, não foi suficiente para mantê-lo no Brasil.

“Quando eu terminei o colégio, nada mais me prendia no Brasil, então decidi vir morar

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

na Califórnia já que aqui é o lugar onde tudo acontece em relação ao skate. Sempre tive o visto para morar aqui e foi tudo muito rápido. Vim sozinho, mas fui muito bem acolhido pela galera brasileira que mora aqui!”, conta.

Não havia mesmo como o menino que andava de skate nas pistas de Santo André todos os dias após o colégio, se sentir deslocado na Califórnia, considerada um dos melhores lugares do mundo para a prática do esporte.

Longe de casa, Leo cercou-se de pessoas boas e muitas delas brasileiras, o que aliviou a falta que sentia da família. Logo quando chegou aos Estados Unidos, ele morou na casa do carioca Bruno Passos, grande destaque do skate brasileiro principalmente na década de 1990. “Quando cheguei aqui e praticamente só andava de skate e aprendia coisas novas (não só manobras) todos os dias. O Bruno me ajudou bastante no começo e me ensinou muita coisa, assim como o Evandro Mancha, Bob Burnquist, Christiano Goulart e todos os outros amigos que já moravam aqui. Logo me adaptei”.

Sempre que fala do skate, ou melhor, skateboard, como ele mesmo diz, Leo faz questão de ressaltar que o esporte é um estilo de vida, uma maneira de agir e se expressar, que remete à família, cultura e uma atitude positiva. Mas ainda que com algumas diferenças, a vida de um atleta do skate não difere muito da vida de atletas de outras modalidades esportivas, seja no preparo físico ou psicológico. “Se você quiser andar de skate em nível alto por mais tempo, é bom cuidar se cuidar”, alerta Leo. “O nervosismo [antes de uma prova] é inevitável. Tem que trabalhar a mente, eu ainda estou aprendendo.”

Ele acredita que o medo deve existir em qualquer esporte. “Se o medo e o respeito não existissem não teria graça. Mas em seguida, a sensação de superação de voltar àquela manobra difícil e perigosa que você está tentando, não tem preço. Mostra que você mereceu ela”. 

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Foto: Divulgação

Para àqueles que sonham em ser skatistas profissionais, Leo recomenda: “Ande de skate para se divertir e crie sua própria identidade”. Não há dúvida de que funcionou para ele, mas a consciência de seu papel enquanto representante do esporte também está bem clara em sua mente. “É isso o que quero fazer pelo resto da minha vida. Ser um skatista bem sucedido vai além de conquistar títulos e estar na mídia. É muito importante ser respeitado entre os atletas, ter atitude, humildade e representar a família skateboard”.

DIZ AÍ, LEO:
Através do esporte, você teve a oportunidade de conhecer diversas pistas de skates pelo mundo. Tem alguma que te marcou mais?
Sempre quis viajar o mundo e conhecer diversas culturas e lugares diferentes e, através do Skate, eu já visitei diversos países pelo mundo e cresci muito, não só como skatista, mas como pessoa também. A pista que mais me marcou foi Faelledparken Skatepark, em Copenhagem, na Dinamarca.

É possível acompanhar um pouco do mundo que Leo vem conhecendo através do esporte por meio do canal do brasileiro no YouTube, inclusive aquecimento para a disputa dos X-Games, o primeiro de sua carreira, disputado em Austin, no Texas, no começo de junho.

 

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Fernanda de Lima

Fernanda de Lima

Editora Guia dos Esportes